domingo, 27 de setembro de 2009

O Gigante mostra suas garras


O sete de setembro deste ano teve um simbolismo todo especial pelo menos na área de defesa. A presença do presidente da França, Nicolas Sarkozy, foi um claro sinal de que o Brasil agora tem um parceiro estratégico de peso, um país membro permanente no conselho de segurança da ONU, que detém poderes atômicos.

Antes da vinda do chefe de estado francês, o Brasil firmou com o país europeu um dos maiores acordos militares da história recente do Brasil. Foi firmado a compra de quatro submarinos convencionais, da classe Scorpene, um casco de guerra moderno, de médio porte, de 66,4 metros de cumprimento, possui dois motores a diesel, pode navegar submerso á 40 km/h, dotado de seis lançadores de torpedos que podem disparar 18 do mesmo tipo, e com a possibilidade de adaptação de um sofisticado sistema de lançamento mísseis convencionais SM-39 Exocet, famosos por terem causado graves baixas á Marinha Real Inglesa pelos argentinos, durante a Guerra das Ilha Falklands/Malvinas, em 1982. Outro grande acordo foi à construção e a transferência de tecnologia para construção no Brasil de um submarino nuclear de grande porte, de aproximadamente 85 metros de comprimento, capaz de lançar mísseis guiados por radares na órbita da Terra e múltiplos torpedos inteligentes que rastreiam seus alvos garantindo quase total eficácia em combate. Esse modelo de submarino navega á 45 km/h submerso e sua tripulação é de aproximadamente 60 marinheiros mais 15 soldados para operações especiais.

O submarino nuclear coloca o Brasil em um seleto grupo de poucos países a operar este tipo de arma. Os países são os EUA, Reino Unido, Rússia, China e recentemente a Índia. Tal embarcação é movida por energia atômica produzida por um reator nuclear. Ele difere dos demais submarinos pelo seu poder de alcance, podendo navegar submerso por mais de três meses ininterruptos, podendo ir mais fundo do que os submarinos convencionais, e o principal, ele é de difícil detecção, é praticamente furtivo aos sonares e radares inimigos.

Além dos submarinos, os franceses irão construir em solo brasileiro o maior helicóptero militar de transporte de tropa daquele país, o EC-725 Super Puma. Capaz de transportar mais de 30 militares prontos para entrar em combate, esta aeronave será fabricada pela Helibrás, a filial nacional da fabricante francesa de aviões de asas rotativas, a Eurocopter, sediada em Itajubá, Minas Gerais. O governo brasileiro encomendou 50 células, sendo 17 para Exército, 17 para Marinha e 16 para Aeronáutica.
Mas o que vem causando mais expectativas nos corredores do Ministério da Defesa é o anúncio do vencedor da disputada concorrência F-X2, que irá equipar a frota de caças da Força Aérea Brasileira (FAB) pelos próximos 40 anos. Estão no páreo o caça francês Dassault Rafale, uma sofisticada máquina de guerra, bi-reator de múltiplo emprego, dotado de sistemas eletrônicos de última geração, está em serviço na Força Aérea e na Marinha francesa, é compatível para operar no único porta-aviões da marinha brasileira, o Nae São Paulo, antigo Fonch. O segundo concorrente é o ágil e versátil caça sueco Saab Gripen NG, um bem sucedido projeto da independente indústria aeronáutica sueca. É um avião derivado do Gripen J-39, que está em serviço nas forças aéreas da Suécia, Hungria, República Checa e África do Sul. Existem encomendas do modelo para Real Força Aérea Tailandesa. Um avião pequeno, mono-reator, barato de ser operacionalizado e dotado de uma aviônica de quinta geração, além de poder portar os mais letais mísseis ar-ar, ar-terra e ar-mar existentes.

O terceiro concorrente vem da América do Norte, é o Boeing F/A-18 Super Hornet, um caça-bombardeiro avançado, em serviço atualmente na Marinha dos Estados Unidos, equipa os estratégicos e gigantescos porta-aviões nucleares. Seu radar é capaz de rastrear múltiplos alvos tanto no ar quanto na terra, foi testado em combate no Iraque e no Afeganistão.

A compra de 36 caças para FAB envolve mais de 4 Bilhões de reais, mas a principal exigência dos militares e a total transferência de tecnologia, sem nenhuma restrição. Diante disso, o favorito se torna o caça francês, pois os americanos não estão dispostos a transferir tecnologia militar nem para seus tradicionais aliados, deixando o F-18 Super Hornet uma carta fora do baralho e refletindo o mesmo problema ao caça sueco, pois muito de seus componentes eletrônicos são de fabricação norte-america, sendo assim passivo ao embargo norte-americano. O Rafale, por ser totalmente francês torna-se o favorito, na medida em que o chefe de estado francês assina um acordo de total transferência de tecnologia, deixando o Brasil a par da mais avançada ciência aeroespacial, dando um sinal verde á FAB, para que tenha e independência técnica de sua principal aeronave de guerra, galgando para um futuro não muito distante, um projeto de um caça 100% nacional baseado na escolha do F-X2, que é o sonho dos militares de farda azul.

Não há duvidas de que um país como o Brasil que se ascende economicamente, e almeja projetar força política, econômica e cultural mundialmente, tenha suas forças armadas a altura de suas aspirações. O governo brasileiro não cansa de manifestar sua vontade ao direito a um assento permanente no conselho de segurança da ONU, e para tal, deve possuir meio e mostrar que é capaz de decidir em debates e situações bélicas em que o conturbado mundo atual vem passando.

Tais acordos militares, mais uma vez é um claro sinal de que na América latina, o Brasil quer se manter na vanguarda do poderio militar, com essas aquisições, nosso país disponibilizará da maior máquina de guerra do subcontinente e do Hemisfério Sul. Uma clara resposta as obscuras e pesadas aquisições armamentistas da Venezuela de Hugo Chávez e do Chile, que é um parceiro do Brasil e não oferecem nenhum perigo ás nossas fronteiras.

Mas o principal objetivo da compra bilionária dos submarinos, é a da proteção das colossais bacias de Petróleo descobertos recentemente na costa brasileira, o Pré-Sal. Além de ser um claro recado aos EUA e sua política de influência na região, ainda mais que foi anunciada a reativação da IV Frota americana, que irá navegar de forma hostil nas águas do Caribe e do Atlântico Sul , e a divulgação da instalação de sete bases americanas em solo colombiano, uma delas, a poucos quilômetros da fronteira com o Brasil, na floresta Amazônica.

Não é segredo para ninguém que o Brasil, e a América Latina vêm se armando de forma ostensiva, além dessas compras citadas, o governo brasileiro vem desenvolvendo uma família de blindados sobre rodas para o Exército, além da aquisição de segunda mão de tanques alemães Leopard 1 A 5, e de 12 helicópteros de ataque de fabricação russa, o MI-35, considerado por especialistas como o maior helicóptero de assalto do mundo. O governo parece levar a sério que quer mostrar a que veio no âmbito de defesa, parece estar no caminho certo, pois se o Brasil quer ser, ele primeiro tem que ter, e essa lição de casa estamos fazendo com muita ousadia.

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