quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Que polícia é essa?


Hoje(1 de outubro), pela tarde, por volta das 14h 30, estava eu dentro do ônibus coletivo indo para o meu trabalho. Até aí, tudo bem, nada de anormal, Goiânia como sempre um calor insuportável, ônibus lotado, trânsito carregado, buzinas, fumaças, sinaleiros, tudo caminhava dentro da rotina. Mas de repente, quando o coletivo parou no sinal vermelho no cruzamento entre as avenidas Independência e Mutirão, ouvia-se uma sirene. Tal sinal sonoro de alerta parecia muito com as da ambulância do Samu. Mas na verdade era uma viatura da Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas (Rotam).

Foi uma cena estarrecedora, enquanto o sinal estava fechado, algo em torno de 3 minutos, a Blazer preta estava atrás do Ônibus pedindo passagem, algo impraticável e totalmente inviável para o coletivo manobrar. Do nada, a viatura consegue passar por nós, e todos dentro do ônibus presenciaram uma cena lamentável e de dar nojo. Eu como cidadão e contribuinte, fiquei pasmo e tive repulsa quando vi um dos policiais militares pendurado do lado de fora com os braços batendo a porta do passageiro, com sangue nos olhos, saliva escorrendo pela boca e esberrando, igual a um doente mental, esbravejando e xingando o motorista com palavrões e palavras de baixo calão que não compensa aqui reproduzi-las.

A viatura sobe pelo canteiro central, quase atropela o carrinho de armazenar sucos do pobre rapaz que ali as vendia, acelera com tudo cantando pneu e some na avenida. É lamentável o baixo nível no qual nossas forças policiais chegaram. Nunca tinha visto nada tão deprimente e aborrecedor, ao saber que nós, contribuintes e pagadores de impostos, patrocinamos esse tipo de gente, que é paga para nos proteger. Foi visível o despreparo e a falta de postura de tal “policial”. Sinceramente, meu respeito que tinha pela polícia, em especial a Rotam, foi pelo ralo. Lixo! Essa é apalavra certa para descrever o que acho dos “homens de preto”. Lixo. Não merecem ostentar a palavra “militar” para designá-los.

Aliás, no Brasil não acho certo termos Policias Militares, pois nos outros países, não existem forças policias que se organizam de forma militar, mas sim pára-militar, que é diferente. Nos países desenvolvidos, policiais não usam fardas, e sim uniformes. Nossas policias tem que passar por uma profunda reorganização, não se pode trabalhar segurança pública como se estivéssemos em estado de sítio. Não devem existir tropas nos moldes da Rotam e da Rota(equivalente á Rotam em São Paulo), pois não passam de grupos de extermínio fardados a serviço do Estado com permissão para matar sem saber em quem estão atirando.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Espaço musical


Esse blog abre um espaço musical, então vamos lá:

Resenha do Álbum: "Ok, Computer" da banda de rock Radiohead


“Ok Computer” é um álbum da banda britânica Radiohead, um dos melhores do grupo, e se não, o melhor. Com um toque bem depressivo e longe de entediante o tom de voz de Thom York beira o desespero, pode ter certeza, se você quiser sorrir, não vai ser com esse álbum. Diria que tal obra irá te levar a um momento mais introspectivo, mais filosófico ou mais reflexivo.

A primeira música do álbum é impactante, começando por "Airbag", com seu andamento paranóico, baixo entrecortado, efeitos eletrônicos esquisitos, e que possui uma letra estranha. A segunda, "Paranoid Android", é o grande destaque do álbum, com belas melodias, excelente trabalho de guitarras e uma estrutura diferenciada, como se fosse dividida em movimentos, tendo, inclusive, sido taxada por muitos como uma típica música de rock progressivo.

"Subterranean Homesick Alien" também é ótima, com bela melodia e instrumentos bem atmosféricos, outra característica notada ao longo do disco inteiro, leve como uma pluma, não tem como não viajar na imaginação com essa música, ou seja, parece que você foi auto-transportado para um mundo mágico, no qual não existe saída, ou cabe a comparação de uma cena em que um garoto assiste a chuva cair, porém ele está dentro de sua casa, na janela do quarto, uma paz solene. É a preferida do autor desta resenha que vos fala. Espetacular do começo ao fim.

"Exit Music (For a Film)" é a canção mais triste do disco, onde é mostrado explicitamente uma vontade de fugir de um mundo no qual nós definitivamente não encaixamos. Essa faixa tem um clima realmente melancólico e intimista, com uma belíssima interpretação do vocalista Thon Yorke, que mostra ter controle total de sua voz. "Let Down" é outra canção extremamente inspirada, de uma beleza quase palpável, com seu instrumental envolvente acompanhando de maneira perfeita o vocal, como se ambos fossem uma coisa só. Nela, mais uma vez ouvimos Thom Yorke lamentar a vida. Chega ser um pouco maçante.

"Karma Police", também é linda, com uma base de violão e piano bem simples. "Fitter Hapier" é a música mais estranha do disco, eu a classificaria como uma música que caiu de pára-quedas em um lugar no qual ele não deveria estar. "Electioneering" é bem alegre e empolgante, e só. "Climbing the Walls" também é excelente, com muito clima e andamento hipnótico. "No Surprises" é uma bela balada que tem na sua letra o seu ponto forte, pois representa perfeitamente o que se passa na cabeça do atormentado vocalista. "Lucky" também é belíssima, com um lindo refrão acompanhado perfeitamente pela guitarra cheia de melodia. "The Tourist" fecha perfeitamente essa obra-prima: mais uma canção hipnótica e climática, com letras e vocais inspirados, melodia triste e cadenciada, outra música inesquecível.

É uma obra-prima do rock mundial, algo raro que já não é praticado atualmente. Supera todas as expectativas.

domingo, 27 de setembro de 2009

O Gigante mostra suas garras


O sete de setembro deste ano teve um simbolismo todo especial pelo menos na área de defesa. A presença do presidente da França, Nicolas Sarkozy, foi um claro sinal de que o Brasil agora tem um parceiro estratégico de peso, um país membro permanente no conselho de segurança da ONU, que detém poderes atômicos.

Antes da vinda do chefe de estado francês, o Brasil firmou com o país europeu um dos maiores acordos militares da história recente do Brasil. Foi firmado a compra de quatro submarinos convencionais, da classe Scorpene, um casco de guerra moderno, de médio porte, de 66,4 metros de cumprimento, possui dois motores a diesel, pode navegar submerso á 40 km/h, dotado de seis lançadores de torpedos que podem disparar 18 do mesmo tipo, e com a possibilidade de adaptação de um sofisticado sistema de lançamento mísseis convencionais SM-39 Exocet, famosos por terem causado graves baixas á Marinha Real Inglesa pelos argentinos, durante a Guerra das Ilha Falklands/Malvinas, em 1982. Outro grande acordo foi à construção e a transferência de tecnologia para construção no Brasil de um submarino nuclear de grande porte, de aproximadamente 85 metros de comprimento, capaz de lançar mísseis guiados por radares na órbita da Terra e múltiplos torpedos inteligentes que rastreiam seus alvos garantindo quase total eficácia em combate. Esse modelo de submarino navega á 45 km/h submerso e sua tripulação é de aproximadamente 60 marinheiros mais 15 soldados para operações especiais.

O submarino nuclear coloca o Brasil em um seleto grupo de poucos países a operar este tipo de arma. Os países são os EUA, Reino Unido, Rússia, China e recentemente a Índia. Tal embarcação é movida por energia atômica produzida por um reator nuclear. Ele difere dos demais submarinos pelo seu poder de alcance, podendo navegar submerso por mais de três meses ininterruptos, podendo ir mais fundo do que os submarinos convencionais, e o principal, ele é de difícil detecção, é praticamente furtivo aos sonares e radares inimigos.

Além dos submarinos, os franceses irão construir em solo brasileiro o maior helicóptero militar de transporte de tropa daquele país, o EC-725 Super Puma. Capaz de transportar mais de 30 militares prontos para entrar em combate, esta aeronave será fabricada pela Helibrás, a filial nacional da fabricante francesa de aviões de asas rotativas, a Eurocopter, sediada em Itajubá, Minas Gerais. O governo brasileiro encomendou 50 células, sendo 17 para Exército, 17 para Marinha e 16 para Aeronáutica.
Mas o que vem causando mais expectativas nos corredores do Ministério da Defesa é o anúncio do vencedor da disputada concorrência F-X2, que irá equipar a frota de caças da Força Aérea Brasileira (FAB) pelos próximos 40 anos. Estão no páreo o caça francês Dassault Rafale, uma sofisticada máquina de guerra, bi-reator de múltiplo emprego, dotado de sistemas eletrônicos de última geração, está em serviço na Força Aérea e na Marinha francesa, é compatível para operar no único porta-aviões da marinha brasileira, o Nae São Paulo, antigo Fonch. O segundo concorrente é o ágil e versátil caça sueco Saab Gripen NG, um bem sucedido projeto da independente indústria aeronáutica sueca. É um avião derivado do Gripen J-39, que está em serviço nas forças aéreas da Suécia, Hungria, República Checa e África do Sul. Existem encomendas do modelo para Real Força Aérea Tailandesa. Um avião pequeno, mono-reator, barato de ser operacionalizado e dotado de uma aviônica de quinta geração, além de poder portar os mais letais mísseis ar-ar, ar-terra e ar-mar existentes.

O terceiro concorrente vem da América do Norte, é o Boeing F/A-18 Super Hornet, um caça-bombardeiro avançado, em serviço atualmente na Marinha dos Estados Unidos, equipa os estratégicos e gigantescos porta-aviões nucleares. Seu radar é capaz de rastrear múltiplos alvos tanto no ar quanto na terra, foi testado em combate no Iraque e no Afeganistão.

A compra de 36 caças para FAB envolve mais de 4 Bilhões de reais, mas a principal exigência dos militares e a total transferência de tecnologia, sem nenhuma restrição. Diante disso, o favorito se torna o caça francês, pois os americanos não estão dispostos a transferir tecnologia militar nem para seus tradicionais aliados, deixando o F-18 Super Hornet uma carta fora do baralho e refletindo o mesmo problema ao caça sueco, pois muito de seus componentes eletrônicos são de fabricação norte-america, sendo assim passivo ao embargo norte-americano. O Rafale, por ser totalmente francês torna-se o favorito, na medida em que o chefe de estado francês assina um acordo de total transferência de tecnologia, deixando o Brasil a par da mais avançada ciência aeroespacial, dando um sinal verde á FAB, para que tenha e independência técnica de sua principal aeronave de guerra, galgando para um futuro não muito distante, um projeto de um caça 100% nacional baseado na escolha do F-X2, que é o sonho dos militares de farda azul.

Não há duvidas de que um país como o Brasil que se ascende economicamente, e almeja projetar força política, econômica e cultural mundialmente, tenha suas forças armadas a altura de suas aspirações. O governo brasileiro não cansa de manifestar sua vontade ao direito a um assento permanente no conselho de segurança da ONU, e para tal, deve possuir meio e mostrar que é capaz de decidir em debates e situações bélicas em que o conturbado mundo atual vem passando.

Tais acordos militares, mais uma vez é um claro sinal de que na América latina, o Brasil quer se manter na vanguarda do poderio militar, com essas aquisições, nosso país disponibilizará da maior máquina de guerra do subcontinente e do Hemisfério Sul. Uma clara resposta as obscuras e pesadas aquisições armamentistas da Venezuela de Hugo Chávez e do Chile, que é um parceiro do Brasil e não oferecem nenhum perigo ás nossas fronteiras.

Mas o principal objetivo da compra bilionária dos submarinos, é a da proteção das colossais bacias de Petróleo descobertos recentemente na costa brasileira, o Pré-Sal. Além de ser um claro recado aos EUA e sua política de influência na região, ainda mais que foi anunciada a reativação da IV Frota americana, que irá navegar de forma hostil nas águas do Caribe e do Atlântico Sul , e a divulgação da instalação de sete bases americanas em solo colombiano, uma delas, a poucos quilômetros da fronteira com o Brasil, na floresta Amazônica.

Não é segredo para ninguém que o Brasil, e a América Latina vêm se armando de forma ostensiva, além dessas compras citadas, o governo brasileiro vem desenvolvendo uma família de blindados sobre rodas para o Exército, além da aquisição de segunda mão de tanques alemães Leopard 1 A 5, e de 12 helicópteros de ataque de fabricação russa, o MI-35, considerado por especialistas como o maior helicóptero de assalto do mundo. O governo parece levar a sério que quer mostrar a que veio no âmbito de defesa, parece estar no caminho certo, pois se o Brasil quer ser, ele primeiro tem que ter, e essa lição de casa estamos fazendo com muita ousadia.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Podemos voar e não andar.


Vocês já repararam que nossas ruas estão infestadas de veículos e motos de marcas estrangeiras? Pois é, já parou para pensar que não temos nenhuma marca nacional de automóveis? Estranho, não é? O Brasil é o terceiro país que mais tem montadoras de carros, motos e caminhões em todo planeta, temos o maior parque industrial auto-motor do hemisfério Sul, porém há de se ressaltar que todas são marcas e empresas estrangeiras, não temos nenhuma marca nacional fabricante de veículos.
Nos anos setenta tivemos a Gurgel, que foi uma fabricante de automóveis brasileira, desenvolvidos pelo engenheiro João Augusto Amaral Gurgel. Com a proposta de produzir veículos 100% nacionais, o empresário montou em 1969, na cidade de Rio Claro (interior do Estado de São Paulo), a fábrica de carros que levava o seu nome (originariamente a fábrica fora criada em São Paulo, na avenida do Cursino, Jardim da Saúde, tendo mudado para a cidade de Rio Claro nos fins dos anos 70). A montadora produziu mais de 40 mil veículos genuinamente brasileiros durante seus 25 anos de existência, mas não resistiu á pressões políticas oriundas das montadoras estrangeiras e a recusa de receber empréstimos públicos para sanar dívidas, então veio a falência.
O Brasil tem a terceira maior fabricante mundial de aviões, a Embraer, um orgulho nacional que ganha a cada dia os céus do mundo inteiro, porém, de forma espantosa e contrastante, dirigimos Volks Wagen(Alemanha), Chevrolet(EUA), Fiat(Itália), Renault(França), Pegeout(França),Nissan(Japão), Ford(EUA), Hyundai(Coréia do Sul), Honda(Japão) e Toyota(Japão). A explicação para isso remonta dos tempos do presidente JK e a abertura nacional ao capital estrangeiro, consolidado após o golpe de 64.
É embasbacante saber que nós brasileiros projetamos, construímos e vendemos aviões a jato consagrados em todo globo terrestre, produto esse que requer alta tecnologia, mas paradoxalmente enviamos bilhões de dólares de lucros ao exterior graças ás montadoras estrangeiras.

A Radice & Mortis

Olá a todos, estou de volta mais uma vez. Nessa nova empreitada blogerística, pretendo ser mais afável, flexível e menos agressivo. Irei destinar esse blog a minhas opiniões e análises porém com fundamentações. Também irei destinar a esse espaço algumas crônicas e contos de minha autoria. Pode servir como diário eletrônico também.

Obrigado e sejam todos bem-vindos.



*Radice & Mortis.: Siginifica a raiz e a morte, em latim.